O som do Brasil conquista o mundo: 2026 e a ascensão global da nossa música
O Brasil já é o oitavo maior mercado de música do planeta, com o funk exportando como nunca e o sertanejo reinando em casa. Uma leitura tranquila de um ano histórico para o nosso som.
Quem vive de ouvir música como eu aprende a desconfiar de exageros, mas os números de 2026 me fizeram parar e sorrir. O Brasil não é mais apenas um país que consome música com paixão: tornou-se uma potência que o mundo inteiro começou a ouvir com atenção. E o mais bonito é que essa conquista veio com o nosso próprio sotaque, sem pedir licença a ninguém.
Entre os maiores do mundo
O dado que mais me impressiona é o tamanho do salto. Depois de crescer 14,1 por cento em 2025, o Brasil se tornou o oitavo maior mercado de música do planeta, com o streaming respondendo por cerca de 86 por cento da receita. O mercado fonográfico avançou 18,7 por cento em um único ano, chegando a 641 milhões de dólares, muito acima da média global. Não é sorte, é maturidade.
O funk cruza fronteiras

A história que mais me emociona, porém, é a do funk. Segundo o relatório Loud and Clear de 2026 do Spotify, o funk brasileiro foi o gênero que cresceu mais rápido até ultrapassar 100 milhões de dólares em pagamentos, à frente até do k-pop. E não para por aqui: há escuta constante em Portugal, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Argentina. O nosso ritmo virou trilha sonora mundo afora.
O sertanejo, gigante em casa
Enquanto o funk viaja, o sertanejo reina dentro de casa. Em uma parada diária do Spotify Brasil, em julho de 2026, o gênero ocupou dez das quinze primeiras posições, com o funk levando as outras cinco. A diferença é que o sertanejo fatura quase tudo aqui dentro: seu público, suas rádios, suas turnês e seus streams vivem no Brasil e na diáspora de língua portuguesa. São dois caminhos igualmente vitoriosos.
Um público que abraça o próprio
Outro número me deixa particularmente orgulhoso. Impressionantes 96 por cento das cinquenta faixas mais tocadas no Brasil são de artistas brasileiros, com apenas quatro estrangeiras na lista. Some-se a isso os mais de 45 milhões de usuários ativos no Spotify, a segunda maior base do mundo depois da Índia, e fica claro que o brasileiro ama, antes de tudo, a música feita por gente daqui.
O que eu levo de tudo isso
No fim, o que me alegra não é apenas o Brasil aparecer nos rankings globais. É perceber que chegamos até aqui sendo profundamente nós mesmos, exportando batidas nascidas nas periferias e cantando o interior em português. Se 2026 for lembrado por algo na nossa música, que seja como o ano em que o mundo finalmente parou para dançar no nosso ritmo.





